6 de dezembro de 2013

Resenha - Dezenove Minutos

Título: Dezenove Minutos
Autora: Jodi Picoult
Editora: Verus
Páginas: 545
Classificação: 5|5
Onde Comprar: Saraiva


Sinopse:
Sterling é uma cidadezinha comum do interior, onde nada acontece – até o dia em que a quietude é abalada por um terrível ato de violência. Peter, um adolescente socialmente isolado que há anos sofre bullying, um dia leva uma arma para a escola e abre fogo contra os colegas, matando dez pessoas. Narrações do passado revelam como as constantes provocações dos outros alunos levaram Peter a se isolar, buscando refúgio em jogos violentos de computador. Josie, filha da juíza responsável pelo caso e que já foi a melhor amiga de Peter, deveria ser a testemunha mais valiosa de acusação, mas não consegue se lembrar do que aconteceu bem diante de seus olhos – ou será que consegue? Conforme o julgamento avança, rupturas entre os adolescentes da escola e a comunidade adulta começam a se revelar, destruindo famílias e as amizades mais íntimas.


Resenha:
Logo que vi esse livro fiquei interessado, não por causa da capa, ou da autora, ou nada disso, mas sim pela sinopse, que ao meu ver vendia um livro incrível, a obra  com certeza é tudo o que é descrito na sinopse, só que um pouquinho mais. Da autora best-seller Jodi Picoult, o livro Dezenove Minutos aborda o tema bullying e as consequências que tal prática podem causar, como grandes catástrofes que deixa marca para sempre nas pessoas que a viveram, além de outro temas tão polêmicos quanto.
Peter Houghton simplesmente não gostava de ir para a escola, por ser pequeno e fraco, sempre foi apelidado e sofria agressão física e psicológica de todos os alunos da escola, com exceção de Josie Cormier, que sempre o defendiasem se importar com o que os outros pensavam, até passar para o lado dos populares e esquecer seu pequeno e frágil amigo, virando namorada de Matt Royston, o garoto que mais pratica bullying na escola e um dos mais populares dali. 
Com o tempo, as provocações aumentaram até um ponto em que Peter não aguentou mais e levou armas para a escola, chegando a matar 9 pessoas, entre estudantes e professores, além de deixar cerca de 10 feridas, em uma cidade pequena como Sterling, uma catástrofe como essa traz grandes consequências, para Peter não foi diferente. Mas será que ele é 100% culpado? Será que tudo o que ele fez foi totalmente errado? Durante a narrativa, Picoult vai oscilando entre o presente e o passado, nos mostrando o que levou o garoto a fazer tudo o que fez através de flaskbacks de, por exemplo, 17 anos antes, 6 anos antes... Todas as datas "antes" se referem ao dia do grande massacre que ocorreu na escola. Desse modo a autora nos mostra porque Peter fez o que fez e o que isso mudou na vida dos que estavam ao redor, ou seja, tudo.


A narrativa da autora é ótima, apesar de ser um tanto quanto pesada por ser um livro adulto com temas pesados, continua fluida e torna a leitura não muito difícil, a autora aborda durante o livro vários temas polêmicos, não só o bullying, mas outras situações complicadas. Picoult acaba por levantar vários assuntos que vão se interligar, o que eu achei excelente, ela consegue nos fazer não odiar o Peter, mas sim todos os que fizeram coisas ruins a ele, mesmo com ele tendo feito tudo o que fez, ela nos convence de que ele não é totalmente culpado, o que eu achei incrível, além de dividir o foco de sua narrativa entre os personagens, fazendo com que a gente possa sentir os medos e frustrações de cada um, o que faz com que não possamos escolher um lado pra apoiar: o do atirador, ou o das famílias que perderam seus filhos ou os tiveram machucados. Como a autora troca constantemente o foco entre os personagens, não é possível decidir qual deles têm mais razão, todos saíram perdendo nessa história.Todos os personagens são bem críveis, eles poderiam ser conhecidos nossos, ou amigos, professores, enfim, a autora os cria com maestria, mostrando-nos os seus pontos fracos e seus sentimentos mais profundos, a construção deles é feita perfeitamente.
"(...) Talvez a dor fosse o preço que todo mundo pagava pelo amor. (...)"
O livro é dividido em duas partes, na primeira parte vemos o acontecimento do tiroteio na escola em si e os flashbacks que explicam o que levou Peter a fazer o que fez e mostram um pouco da vida dos outros ao seu redor e no que ele os influencia, já a segunda parte do livro é a parte do julgamento, a partir do seu começo eu não consegui mais parar de ler, a primeira parte é bem calma com todas as lembranças do passado e histórias de outros personagens, mas a partir do momento em que começa o julgamento do Peter, o livro pega fogo! O advogado dele mereceria meu respeito, se fosse real, claro, o cara é muito incrível! 
Por estar acostumado com um tipo de narrativa jovem adulta, tive um pouco de dificuldade no começo da leitura e até pensei em abandoná-lo, já que o livro é bem grande, ainda bem que não fiz isso, porque teria perdido uma leitura simplesmente incrível! Além de ter aprendido bastante lendo esse livro, no final acabamos tendo um explicação de um profissional que defende o Peter e diz quais são as principais causas que o levaram a fazer o que fez, ou seja, dá pra tirar até um ensinamento a mais do livro, pelo menos eu consegui. 
O final do livro me surpreendeu, esperava uma coisa e aconteceu uma outra coisa que eu não imaginava, mas que foi bem realista, já que acompanhamos durante todo o livro dicas não muito claras do final, mas que, quando você descobre, fala: como não percebi isso? O final, como eu disse é bem realista, então sem contos de fadas, e mais realidade. A obra em algum momento me deixou triste, as coisas que acontecem com o Peter durante o livro são terríveis e às vezes nos abalam, a frieza que os adolescentes usam contra ele é terrível e me vi deitado pesando na história por diversas noites. O livro com certeza entrou pra minha lista de favoritos e mal vejo a hora de ler outra obra da autora!
Com personagens bem construídos, narrativa operada com maestria, um enredo interessantíssimo e uma proposta diferente, Jodi Picoult escreveu um livro para nos fazer pensar nos atiradores de uma outra maneira e nos mostrar que as pessoas são diferentes, um drama impactante e obrigatório para os amantes desse tipo de livro, fica minha recomendação!
Abraços,
Gabriel

6 comentários:

  1. Adorei a sinopse e a resenha, parece ser um livro realmente muito bom e que esse assunto parece ser igual as coisas que acontece no EUA quando um aluno entra armado na escola, já vou adicionar ele na minha lista de desejo.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Esse livro é tão diferente de muitos que tem por ai e eu realmente gostei dele e da sua resenha, parece que é um assunto chato, mas real e contemporâneo *-*
    Não tem como odiar esse livro, e ele ainda fala de um assunto tão comum: bullying ^^

    XOXO :D
    { Joven Clube | Official }

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  3. Muita gente fala super bem da Jodi Picoult! Os livros são super bem cotados e isso me dá uma vontade louca de ler.
    É, deve ser um choque para quem está acostumado com leituras mais leves, mas agora fiquei MUITO curiosa para ler esse livro. <3

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  4. Esta autora é conhecida por livros mais elaborados e profundos, tem um outro livro dela que eu sou louca para ler, mas esqueci o nome agora, que também é nesse estilo. O tema do livro não é novo, mas parece que a autora desenvolveu bem o enredo, não sei se leria por agora porque acho que esse livro deve ter um tempo certo para ler e não estou no clima por agora.

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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  5. Não conhecia esse livro, mas pela sua resenha ele parece ser ótimo. Eu acho que nunca li um livro com uma sinopse assim, ou que simplesmente fale sobre bullying, o que me desperta a curiosidade.
    bjs
    anjodecereja.blogspot.com

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  6. Adorei a resenha, com certeza vou procurar pelo livro! So por tratar do bulliyng de uma forma realista, mostrando, cm vc msm disse, os sentimentos mais profundo dos personagens e seus pontos fracos, ja me cativou!! E dps de ler aquela frase "Talvez a dor fosse o preço que todo mundo pagava pelo amor" foi cm ter um choque de realidade, pois essa simples frase praticamente define a minha vida a uns 4 anos pra ca (vamos dizer q desde q eu tive a (in)felicidade de entrar no CMS...)

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